quarta-feira, 30 de setembro de 2009

São Paulo está morrendo mais

“Desde que estou retirando / Só a morte vejo ativa/ Só a morte deparei / E as vezes tão festiva;/ Só a morte tem encontrado / Quem pensava encontrar vida / E o pouco que não foi morte / Foi de vida Severina...”


Se o retirante nordestino da poesia de João Cabral de Melo Neto tivesse passado por São Paulo nos dias de hoje, teria muito mais do que se assustar e contar sobre a morte na Metrópole.

Do ano de 2005 a 2008 o número de mortos na capital tem sido maior do que o crescimento da população. Enquanto nesse período a quantidade de moradores aumentou em 1,82% as mortes aumentaram 6,28%. Somente em 2008, 65900 paulistanos morreram.

Se acrescentar as pessoas de várias regiões do Brasil que vem para tratamentos de saúde ou visitar a capital e morrem por aqui, são em média 10 mil óbitos a mais todos os anos.

O aumento, no entanto, não é comemorado por todos que vivem da morte. Waldemar Rodrigues é dono de funerárias e presta de 40 a 50 serviços por mês na cidade de São Paulo.

Com 15 anos de experiência no ramo, Rodrigues confirma que a quantidade de serviços aumentou, mas diminuiu o faturamento. Não é a crise, mas a concorrência e o perfil dos consumidores desse mercado. “As pessoas estão mais precavidas com a morte que antigamente”, afirma. Ele conta que é comum as pessoas ligarem para várias empresas do ramo para comparar preço.

Nenhum comentário:

Postar um comentário