Veterinária faz uma avaliação sobre a população de cães e gatos em São Paulo. Ela critica a política da prefeitura em relação aos animais abandonados. Destaca o papel das ONG´s e traça o perfil das pessoas que se dedicam aos bichinhos.
Claudia Regina Marino, 32, é formada há oito anos e exerce duas funções. Na parte da manhã, ela trabalha em um hipermercado. É responsável técnica pelo setor de carnes. Mas a parte mais prazerosa de seu trabalho são as tardes numa clínica veterinária da Zona Leste de São Paulo. Assim que chega, ela é informada sobre o trabalho que a espera. O local está em reforma, mas os azulejos brancos das paredes dão uma percepção maior de higiene.
Sentada em seu consultório, Marino expõe os seus pontos de vista. Seus olhos brilham e seu sorriso aparece quando fala de gatos e cachorros. Sobre a mesa papéis e caixas de amostras grátis de medicamentos. A médica se sente recompensada pelo que faz:
"Ver um bichinho bem. Ver um bichinho saudável. Ver um bichinho cuidado com amor. Acho que não tem dinheiro que pague isso". Diz
Para a veterinária, as ONG´s ( organizações não-governamentais ) têm papel fundamental na conscientização das pessoas que adotam animais, porque elas orientam e acompanham a adaptação dos bichos.
"Se ela (uma ONG) perceber que esses animais não estão sendo bem cuidados, são retirados dos lares... Essas ONG´s tem um papel muito importante na parte educativa. Porque para a pessoa desempenhar vários papéis, muitas vezes, pôr dinheiro do próprio bolso, é porque gosta mesmo". Diz a médica.
Perguntada sobre a possibilidade de aproveitadores usar a causa dos animais para lucrar. A Veterinária disse não acreditar na sobrevivência de ONG´s que tem essa finalidade.
Quem adota
Para Marino, a pessoa que adota um animal abandonado quer apenas a companhia do bicho. Não está preocupada com a beleza, status ou raça:
"Têm pessoas muito pobres, mas têm pessoas como poder aquisitivo. Que tem condições de comprar animais caros. Mas que pega vira-latinha de rua ou de campanha de doação. Elas querem o animal".
Lei Trípoli
O Vereador da cidade de São Paulo, Roberto Trípoli, do Partido Verde criou a Lei Municipal nº 14.483/07 que trata sobre a propriedade de animais domésticos. De acordo com a regra, todos os animais vendidos ou doados em São Paulo, devem ter atestado de vacinação e vermifugação, manual de orientação, microchipagem, contrato de doação e castração.
Cláudia vê problema na implementação da lei, porque prejudica o trabalho dos veterinários. Segundo ela, os procedimentos exigidos pela norma geram um custo alto para o profissional que recolhe um animal de rua para depois doar.
"É caríssimo. A vacina é 40 reais, se tiver que castrar é em torno de 50 reais, mais a ração. Então por animal é 100 a 150 reais que a gente gasta. Isso se for doado na primeira semana. Têm animais que ficam aqui dois meses. Então imagina o animal comendo dois meses, vermifugando. Tem um cuidado para esse animal não pegar doença. Então essa lei não veio para ajudar. Tá omitindo o papel da Prefeitura", desabafou.
Cães abandonados são alimentados com restos de comida no cemitério de Vila Formosa
População Animal
De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde) a solução para a grande quantidade de animais nas ruas, seria a castração em massa e o estímulo à adoção responsável.
O problema segundo a especialista, é que a prefeitura de São Paulo não realiza mutirões de castração. Para ela, o trabalho realizado pelo município é “Precário e bagunçado”. Como exemplo de desorganização ela cita o caso do RGA (Registro Geral dos Animais). O CCZ (Centro de Controle de Zoonozes) mandava as clínicas cobrarem uma taxa de três reais dos proprietários de animais, por uma carteirinha e uma chapinha com a identificação do bicho. A taxa foi cobrada e o valor repassado ao CCZ. Mas os donos de animais nunca receberam as carteirinhas, informou a veterinária.
Mas a médica não desanima e aposta no trabalho dos voluntários para amenizar o problema do abandono:
"Têm os que se doam da forma financeira, porque de repente não têm conhecimentos. Outros doam na parte técnica. As pessoas que gostam de animais vêem esses bichos como uma coisa muito frágil, então se solidarizam de alguma forma", concluiu.


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