Entender de comunicação integrada é mais do que pensar que ela é a interação entre todos os comunicólogos de uma organização. Com a rapidez que surgem os novos recursos tecnológicos e o perfil da chamada Geração Y, a interação deixa de ser entre os profissionais e passa a ser diretamente com essa nova classe de consumidores. Habituados às mudanças rápidas e movidos por constante curiosidade, imediatismo e criatividade, eles não se contentam apenas com o papel de receptores de informação. Íntimos das novas tecnologias, não lidam muito bem com as limitações, frustrações e restrições, e estão em interação constante com as redes sociais.
Os Y`s não precisam de mediadores, pois são parte do processo. Como consumidores, embora ainda não seja maioria, mantém forte influência sobre os outros grupos. De acordo com pesquisa realizada nos Estados Unidos, em 2007, a Geração Y representava 14% da população, mas com influência nas decisões de compras de 20% dos menores de 14 anos de idade e sobre os 33% com mais de 40 anos (os pais). Outro estudo americano com mulheres com a faixa etária entre 25 e 44 anos, constatou-se que, elas preferem seguir os gostos e atitudes dos Y´s do que da geração de suas mães. No Brasil, em 2025, os nascidos nas décadas de 1980 e 1990 representarão 73% da população economicamente ativa.
No Facebook, Orkut, MySpace, Messenger e outras redes, esses jovens se comunicam, influenciam, divulgam ideias, textos, projetos, vídeos para milhões de pessoas. Por meio de vídeos no Youtube, gravados muitas vezes com o celular, mostram ao mundo seus gostos, ideias, denúncias e críticas. Somente no Brasil, onde o Youtube tem a segunda maior audiência do mundo, 492.750 horas de conteúdo são publicados no site todo ano. Assim, eles ditam tendências e geram inúmeras pautas para veículos de comunicação.
A AOL realizou nos Estados Unidos, em 2009, um estudo com mil jovens com idade entre 14 e 24 anos para compreender como se comporta a geração que cresceu em um mundo de três plataformas: online, offline e mobile. O estudo revelou que passam mais de 17 horas conectados à internet por semana buscando novidades sobre suas preferências como filmes, músicas, moda e tecnologia. Celulares com internet mobile é utilizado por 88% dos pesquisados, desses 22% tem um smarthphone. Entre os meninos, 50% são os primeiros de seus grupos a adquirirem e se adaptarem aos produtos de alta tecnologia, sendo que 26% deles, já possuem um aparelho de blu-ray. Quanto às meninas, embora 77% delas prefiram comprar em lojas físicas, 64% delas escolhem os produtos de acordo com influência das amigas.
Uma outra pesquisa realizada em 2008 pela Burst Média com americanos de várias faixas etárias constatou que os Y´s são os que mais se identificam com os conteúdos da web. Para os com idade entre 18 e 24, 76% dos produtos de comunicação são direcionados para eles. Entre os de 25 a 34 anos, esse percentual é de 73,9%. Os números diminuem a medida que a idade aumenta.
Embora busquem a internet para expressar opiniões e interagir com outros jovens, os Y´s não deixam as empresas de fora. Tanto que 52% dos usuários de redes sociais afirmam já ter interagido com marcas nesses ambientes e 80% garantem que confiam em recomendações de compras feitas por amigos. Portanto, somente empresas, profissionais e veículos que entenderem que nesse novo modelo de comunicação, a palavra de ordem é interação, continuarão existindo. O maior desafio que têm pela frente, é usar corretamente todo o potencial transformador da comunicação.
Afinal, como disse o jornalista Paulo Nassar, todos são influenciados por todos e sem intermediários, “milhões podem expor seus pontos de vista nesse mundo de controvérsias ambientais, econômicas e sociais. Não há mais unanimidade”. Ou as empresas e profissionais de comunicação aprendem isso, ou se cumprirá a profecia da IBM que afirma que em quatro anos, as empresas que não se posicionarem com bases sólidas nas redes sociais estarão perdendo mercado.
Por Zelitto Silva





