Na cidade de São Paulo existem hoje, segundo o site da Prefeitura, 54 bibliotecas públicas, mas poucos freqüentadores. Falhas no sistema educacional, Internet em casa e violência nos bairros periféricos são alguns dos motivos apontados por Odenir Vinhato, 38, diretor da Biblioteca Municipal Lenyra Fraccaroli, na Vila Carrão. Bibliotecário há 15 anos, ele tem notado uma “queda vertiginosa” de público, principalmente nos últimos sete anos.
“A culpa é de todos. Um adolescente que não é instigado à leitura, não será um adulto leitor e dificilmente terá filhos leitores” , alerta.
A prefeitura da cidade informa em seu site que tem investido na infra-estrutura das bibliotecas. Só neste ano, 11 bibliotecas serão reformadas, além da atualização crescente do material disponível desde 2005. O portal afirma também que as bibliotecas têm um acervo de 5 milhões de exemplares, incluindo livros, cds, jornais e revistas, entre outros. Recebe 4 milhões de consultas por ano.
CAUSAS
Embora a Internet afaste muita gente das bibliotecas, Odenir não a considera uma vilã. “Ela é uma ferramenta a mais. Um suporte.” Para o diretor, o problema é o uso banalizado desta fonte de informação. Os estudantes, muitas vezes, não sabem lidar com o material que recebem via online, porque tem dificuldade com textos. A causa, segundo ele, é que as salas de leitura das escolas não são aproveitadas como deveriam para a formação cultural dos jovens. Ficam ociosas porque não é despertado o interesse dos alunos pela leitura.
SOLUÇÕES
Para o bibliotecário, a queda crescente do número de usuários nas bibliotecas não significa que, um dia, elas deixarão de existir. "Essas instituições devem se reinventar, para saber que rumo tomar. É preciso adquirir uma nova filosofia de trabalho, e se direcionar para públicos específicos" explica. Ele se refere às bibliotecas temáticas (dirigidas a determinados temas como: música, dança, contos de fada, entre outros) que o município está criando desde 2005. Já são oito até agora.
Outra solução apresentada por Vinhato, é fazer uma reestruturação dos funcionários. Mais cursos de qualificação, pois muitos destes trabalhadores vêm de outros setores como: saúde e educação. "Não estão devidamente preparados para o atendimento a este público específico", adverte.
Além destas questões, conclui o diretor, "o acervo é o fundamental".


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