segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Virada leva cultura à periferia



Encenação às dez da manhã atrai crianças ao teatro em Guaianases

“Para criar um entendimento da violência nas cabeças das crianças”. Assim, Augusto Valente, 38, ator e escritor teatral, definiu a peça “A onça e o Bode”. A apresentação ocorreu domingo (27), às 10h no CEU (Centro Educacional Unificado) Jambeiro, em Guaianases. Cerca de 150 pessoas, segundo o ator, maioria crianças, assistiram. Foi uma das atrações da 4ª Virada Cultural, promovida pela prefeitura do Município de São Paulo. Mais 25 CEU’s participaram com encenações teatrais e shows musicais.

Sobre o horário, Valente, intérprete do Bode no espetáculo, disse que “se fosse as quatro da tarde proporcionaria uma casa muito mais cheia.” Mesmo assim, ele se sentiu muito feliz com a recepção da platéia do CEU, e ressaltou a importância do evento. “Precisa ter mais Viradas Culturais, mais teatros de graça”, sugeriu. O artista apontou, também, a solução para violência nas periferias. “A cultura é um investimento a longo prazo.”


Donato Esmeraldo de Paschoa, 66, oficial de justiça aposentado, levou a filha Nicole, de cinco anos, para ver a peça. Ele destacou que é preciso cultura para todas as idades. Sobre a animação das crianças, inclusive a sua filha, o aposentado disse: "Quando a peça é boa e traz uma mensagem, o povo vibra. Isso é aproveitável"



A mensagem da peça
Com a irmã, a atriz Gesilda Mendes, 33, Valente fez a primeira montagem da “Onça e o Bode” em 1997. Pararam dois anos. Voltaram em 1999, e desde então, já se apresentaram em vários teatros. O ator conta que, “a intenção inicial foi de criar a peça para falar nas escolas de violência na periferia. ‘A Onça e o Bode’ passa um retrato sutil da violência”.
A encenação aborda a divisão do espaço em comum entre seres diferentes. Fala do valor da amizade. Mostra a importância da união da força com a inteligência. Critica o machismo na divisão das responsabilidades domésticas.

Sede Cultural
Selma Pereira, 52, Coordenadora de Cultura do CEU Jambeiro, falou da ansiedade dos alunos pela programação da Virada Cultural. Ela salientou o interesse, por parte da população local, por projetos culturais na instituição, durante todo o ano.
Para a Coordenadora, a procura só não é ainda maior porque “os pais trabalham e não tem como trazerem os filhos. Falta tempo para eles poderem vir, mas a programação é muito farta”. Disse.

Nenhum comentário:

Postar um comentário